terça-feira, 9 de junho de 2015

O Direito de Escolha - texto escrito por Consuelo Blocker

DSC08539
Ao final de cada dia me pergunto se aquelas  24 horas foram bem vividas.  Detesto desperdício, e um dia mal vivido é o maior despedício de todos!
Nos últimos dias, se você vive neste planeta, deve ter visto a capa da Vanity Fair americana com Caitlyn Jenner.
556cd6644ae56e586e4588d8_caitlyn-jenner-bruce-jenner-july-2015-vf
Na entrevista, uma frase me chamou a atenção.  Ela diz: ” “Se eu estivesse no meu leito de morte e tivesse guardado esse segredo toda a minha vida e nunca tivesse feito nada sobre isso, eu pensaria: ‘Você jogou fora toda a sua vida. Você nunca lidou consigo mesmo ‘, e eu não quero que isso aconteça.”   Estas palavras vindo de uma pessoa que ganhou a medalha de ouro na Olimpíadas, casou-se três vezes e tem seis filhos!
Bruce Jenner nos anos 80
Bruce Jenner nos anos 80
Mas apesar da presunta contradição, acho a sua atitude nobre, correta, justa!  Fiz um paralelo com o artigo que escrevi sobre ser velha no Brasil (AQUI) onde entendi que neste país não é ruim, mas erradoser velha!!  E fiquei pensando se estou ou não desperdiçando a minha vida…
O estar bem consigo mesmo, dentro da tua pele, tem muito mais a ver com a cabeça do que com o exterior.  Caitlyn ainda tem um pênis, mesmo sendo mulher.  (Existem regras  que estabelecem o quanto você tem que se transformar para se considerar de um ou do outro sexo.)  Bruce havia algo chamado de dyxphoria de gênero.  Ele nasceu homem apesar de ser mulher.  Mas isto não afetava a sua sexualidade.  E Caitlyn decidiu ficar com um pênis.  (Estudos aconselham esperar um ano depois da transformação antes de decidir quanto a este último aspecto.)
As fotos de Caitlyn Jenner por Annie Leibowitz são lindíssimas!
As fotos de Caitlyn Jenner por Annie Leibowitz para a Vanity Fair são lindíssimas!
FullSizeRender-3FullSizeRender-2FullSizeRenderFullSizeRender-6FullSizeRender-7
Esta é a minha favorita
Esta é a minha favorita
É interessante notar o quanto hoje ser transgender é mais aceito.  Vejam só a capa da Time do ano passado com a atriz transgender, Laverne Cox, do seriado Orange is the New Black onde a revista diz ser esta a nova batalha de direitos civis.
transgender-cover
Ou também no fato que a universidade onde minha filha vai o ano que vem nos USA tem entre seus cursos o Gay, Lesbian and Transgender Studies.   Existem ao redor de 700,000 transgenders nos Estados Unidos.  E hoje, através da internet, eles se comunicam e ajudam um ao outro na escolha de como lidar com as suas escolhas.  Tecnologia ajudou muito esta causa tanto com a web quanto com as operações que existem para ajudar na transformação física.
Mas para a minha ou a tua dificuldade, seja esta qual for, podemos usar a tecnologia?  Acredito que sim!  Mas de nada serve sem a determinação e sem sabermos o que queremos.  O poder da NOSSA escolha tem que vir junto com a ciência do que queremos.
A minha foto do outro dia de biquini foi emblemática para mim.
Mas não resisti fazer a boboca com meu corpo novo por Jaqueline Múller, nossa nutricionista über-master do blog!
Eu sempre tive vergonha de tirar a bendita saída de banho.  Assim que ela desaparecia, era um tal de segurar a barriga para dentro.  Mas o outro dia, na frente de todos aqueles homens lindos e outras mulheres mais magras do que eu, me senti bem e não segurei a barriga para dentro.  Tive sim que me “transformar”.  Quis perder quilos com o #ouvaiouracha.  Mas a tecnologia ajudou.  Sabemos comer melhor e existem pastilhas naturais que ajudam a metabolizar gordura e carboidratos de forma mais eficiente.  Apesar da minha pele ser mais velhusca, nunca me senti tão bem nela!!  Ao ponto de ter que entender que cheguei à minha meta 2 quilos mais pesada do que queria.
Para mim, este é o poder da minha escolha.  Acredito que cada um de nós temos uma.  O importante é viver em contato consigo mesmo e entender o que queremos.  Claro que isto subentende não fazer mal a mais ninguém, que no caso de Bruce foi mais complicado por causa da 3 esposas e 6 filhos!!  E temos que estar cientes de mais uma coisa, o processo nunca termina…
Caitlyn diz finalmente não ter mais mentiras.  Bem, isto o tempo vai avaliar.  Quem não tem?!!!  Mas certamente o peso de uma sua grande mentira ela não carrega mais.
E não quis terminar este artigo só com o meu relato.  Pedi a alguém que respeito muito, Patrício Bisso, qual foi a sua realidade, e o que é o poder da escolha na sua opinião. (deixei os erros de ortografia por refletirem o seu maravilhoso sotaque argentino!)
Patricio Bisso
Patricio Bisso
Quando eu tinha uns onze-doze anos, queria ser mulher. Não era nada sexual, isso nem passava pela minha cabessa. Mas eu gostava de vestidos, fazer teatrinho com as bonecas, desenhar, ler, qualquer coisa menos jogar futebol. Tinha convencido ao meu pai, que nesse carnaval ia sair de “hippie”. Na verdade tinha acabado de assistir “O Mágico de Oz”, e estava encantado com a Judy Garland. Deixava o meu cabelo crescer, para (escondido, é claro) fazer essas duas maria-chiquinhas que a Dorothy usava. Um dia o meu pai entrou de sopetao no banheiro, e quando me viu com aquele penteado, me mandou CORRENDO para o barbeiro, que passou a sua máquina ZERO nas minhas lindas madeixas. 
Com o tempo fui aprendendo que não precisa ser mulher para usar lindos vestidos, e o teatrinho de bonecas, acabou virando teatro na vida real. O meu problema estava resolvido. Mas vemos cada vez mais, pessoas que não estão satisfeitas com o sexo que figura na sua partida de nascimento. Tem pessoas muito conhecidas, que acabam virando capa de revista e apresentadoras de televisão. Mas fico pensando que deve ter MILHÕES de outras, que a gente não conhece. Para cada filha de Angelina Jolie que quer ser rapaz, deve ter um monte de outras que não tiveram a sorte de ter uma mãe “MODERNA” …
O mundo atual pode ter um monte de defeitos, cada vez mais, ou pelo menos antigamente não ficávamos sabendo de tantos podres. E embora paressa divertido ver a Caitlyn-Bruce saindo na capa da Vanity Fair, pensemos um pouco em como ele deve ter sofrido estes anos todos. E como se ainda isto fosse pouco, fez parte do Klan-Kardashian, o que garantiria várias re-encarnassões livres de karma. As pessoas parecem esquecer que esta figura folclórica já foi um medalhista olímpico, e não é para qualquer um levar uma medalha de ouro. E ainda por cima, ficou razoavelmente bonita na sua nova fase. Conhesso MUITAS que perderiam feio nas Olimpíadas do Sex-Appeal …
Laerte não desenha pior pelo fato de usar um vestido. Uma das maiores estrelas atualmente na Argentina, nasceu homem, mas se casou, teve dois filhos que ela adora (o esperma era do marido), tem RG com o seu nome de mulher, e é dona de uma língua ferina, que faz com que cada vez que aparessa na TV, alguma coisa acontessa. Se por um lado, a hipocrisia é cada vez maior, temos que agradecer que estamos sendo testemunhas de uma revira-volta geral. Quer usar um vestido …? Use. Quer por um terno …? Ponha. Quer aparecer pelado …? bem, aí já são outros quinhentos …
Patricio como Olga del Volga, sexóloga Russa com Anouk Aimée (não parece com a Costanza?!!)
Patricio como Olga del Volga, sexóloga Russa com Anouk Aimée (não parece com a Costanza?!!)
Obrigada Patricio!!
Did you like this? Share it:
  •  
  •  
  •  
  •  

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A vida é muito mais.


Não são as coisas que nos prendem. Mas, estamos presos à nossa forma de ver as coisas.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A ética é a estética da alma.

ética3.jpg
A ética em sua acepção mais abrangente, a priori, como era conceituada pelos filósofos da antiguidade é o estudo dos princípios que permitem aos seres humanos viver uma boa vida, ou melhor dizendo, uma vida onde algumas normas estabelecidas através dos bons princípios era o cerne da questão. Mais tarde e atualmente dispõe-se a ética, em termos gerais, um fator mais restritivo - mas não completamente na contramão do que já existia - ou seja, o modo como “temos o dever de agir”. Não como um enquadramento, mas como um viés por onde é possível estabelecer convivências sem que entremos em uma torre de babel.
Não há como falar de Ética, sem lembrar de uma citação de Pierre Reverdy: "A ética é a estética de dentro" e, consequentemente, essa questão nos leva também à Michael Foucault, com o qual igualmente concordo: "A ética é, em primeira e última instância, um modo de relacionamento do indivíduo consigo mesmo. É o cuidado de si. A ética é criação de e a partir da liberdade e o indivíduo é uma obra – obra de si mesmo, obra de arte." Quanto mais o indivíduo desenvolver essa ética, mais consciência terá de si mesmo e maior será a sua "estetização", portanto, mais abrangente e melhor será também a concepção desse indivíduo sobre a estética da existência de um modo geral e da vida. Na estética de dentro onde Reverdy situa a ética, que é também a estetização da qual nos fala Foucault, entende-se como tudo aquilo que sentimos, pensamos e todas as nossas atitudes que nascem de uma estética interior de valores, de constituições subjetivas interiores a priori. É uma questão de ser ou não ser. E não há meio termo em ser. Quem não possui a estética de dentro ou quem não constrói essa estética de dentro, não possui e nem consegue construir a ética de fora, pois essa ultima é necessariamente o reflexo da primeira.
ética8.jpg
Essa forma de pensar a ética pessoal estaria desvinculada de qualquer tipo de esteticismo da aparência, do físico e do material. Ao contrário, este esteticismo está ligado diretamente à essência, aos valores e padrões internos de cada um, ou seja, a escolha de uma determinada forma de vida baseada na estética da existência. Estética esta que não se produz em meio ao nada ou em meio à "cultura do vale tudo", mas num espaço determinado no qual algumas escolhas são possíveis e outras não são, porque é preciso que estejamos sempre atentos ao amplo leque de posturas e movimentos do tecido social, que passa pelo pessoal em primeiro lugar, senão não seria possível situar-nos em nenhum modo de convivência.
Dessa forma, a estética da existência, caracterizando o cuidado consigo mesmo e com o outro, caracterizando a civilidade e nos levando ao exercício constante da transformação da existência, define as condutas e os critérios estéticos e também éticos do bem viver - pessoais e sociais, sendo que os pessoais são fundamentais, pois quem não constrói dentro, não possuirá fora. Falando em civilidade, o termo vem da palavra "civitas", que quer dizer cidade. Tem civilidade, portanto, aquele que sabe viver "na cidade", em organizações sociais, culturais e humanas onde existem e deveriam prevalecer alguns códigos e valores morais, bem como a educação, o respeito, a elegância de ser e de estar no mundo e a ética, que nada mais são do que aquilo que já temos - ou deveríamos ter - esteticamente internalizados e que formam nossa subjetividade, pela qual perpassará sempre a formação auto referencial do nosso psiquismo.
ética5.jpg
Lembrei-me de Costanza Pascolato que, em certa medida, para um olhar mais atento e refinado, corrobora em várias nuances com a estética da existência de Foucault: "... Elegância é, na definição literal, o requinte que distingue a postura correta, o refinamento natural. Elegância é apuro do porte e das maneiras. Tem muito mais a ver com aprimoramento pessoal do que com aparência. Ser elegante é, em última análise, uma questão existencial, de como você pensa sua vida, como se coloca no mundo." Ética é como Estilo e elegância. É uma marca única, pessoal e intransferível. Não se compra, não se vende, não se ganha, não se pede emprestado, não se adquire, não se copia. Ou se tem ou não se tem. Ética é a diferença entre a luz e a sombra, entre o passo e o rastro, entre quem irradia de quem apenas reflete. É o tudo e o todo. Ética é a diferença e a diferenciação no meio de iguais. É a marca do inigualável, do incomparável, do irrefutável, do inesquecível.
ética7.jpg
Enfim, a estética de dentro de cada um de nós, o que temos como fundamental em nossa formação como seres humanos, aquilo que é nossa essência, nosso caráter, nossa forma de ser e de estar no mundo, nossos sentimentos, nossos pensamentos e principalmente nossas escolhas e nossas atitudes são nossa ética. É o que somos e possuirmos por dentro e, fatalmente é o que será visto do lado de fora, pois o que possuímos ou não em nossa essência como ética é o que dirá, irrefutavelmente, sobre quem somos, sobre qual é a nossa postura de vida e sobre quais condutas nos alicerçam.


© obvious:  http://obviousmag.org/os_caminhos_do_pertencserse/2015/05/a-estetica-da-existencia.html#ixzz3c7N41jYx 
Follow us: @obvious on Twitter | obviousmagazine on Facebook

Uma reflexão sobre a singularidade da vida humana.

Solitude_-_geograph.org.uk_-_847145.jpg
A gente nasce colado na mãe. Literalmente. Assim começa a vida: a gente é nutrido e protegido em outro corpo. Vai ver é por isso que quando sai, e cortam aquele cordão que nós liga à nave mãe, a gente chora: pelado e com frio, aquela luz ardendo os olhos e o ar rasgando pra dentro dos pulmões pela primeira vez, solto num espaço tão amplo, e tão fragilmente desprotegido. É pra chorar mesmo.
Blá. A gente sai sem consciência de nada disso, eu acho. Mas a gente sente. E, de repente, alguém nos envolve num cheiro e batimento cardíaco conhecidos, um aconchego gostoso de se estar... é bom estar junto novamente. E a gente ama na mesma hora aquela pessoa que vamos aprender a chamar por mãe, um nome universal. Talvez, para não dizer o nome de Deus em vão, devêssemos todos nos referir a ele por "Mãe", mãe de todos nós.
Enfim. Acontece que nascer significa, quase que imediatamente, se desvincular da mãe, daquela unidade que com ela fomos desde o início da nossa formação fetal. Ao nascer, ficamos sozinhos. E isso se dá no plano mais concreto possível: o que nos liga ao outro é cortado e dispensado. E ainda por cima nos deixa um buraquinho na barriga.
Alguns de nós tem a sorte de mamar no seio materno, o que prolonga essa ligação física. Mas não tem jeito: a partir do dia em que nascemos, vamos sistematicamente nos desligando da única pessoa com quem realmente temos uma ligação palpável. E isso dá medo. Uma tremenda angústia. O escuro assusta. A ausência apavora. A solidão parece que nos mata. E choramos. E somos confortados pela mãe e outros amores que a vida vai nos apresentando. E claro que isso é bom. Aprendemos a ser amados e acolhidos.
Mas aí mora um perigo. Aprendemos também, sem querer, que estar bem é estar com os outros, é estar acompanhado, é ser aceito. E acabamos por fazer loucuras para nos sentir incluídos em grupos e meios que nem de longe servem à nossa singularidade. A qualquer preço, "alguém fica aqui, junto comigo, por favor": só para não lidarmos com a tal vilã do mal, a solidão. Acabamos por aprender, subjetivamente, que o amor vem do outro, e que estar só é sinônimo de abandono. E isso é uma ilusão que nos aterroriza vida afora, sem razão. Ficamos a sentir o mal estar no meio da multidão, sem saber o motivo ou a solução.
Acontece que ninguém aqui é mais um frágil bebê. Nossas necessidades básicas continuam as mesmas, é claro. Mas nossas competências, capacidades e habilidades, via de regra, são milhares de vezes maiores, o que nos garante autonomia. Isto quer dizer que, com a aprendizagem e o conhecimento, vamos desenvolvendo condições de dirigir as nossas vidas cada vez mais independentes dos outros: não que preciso que alguém nos alimente, nos cuide e proteja. A necessidade de nos relacionar existe, mas como troca e aprendizado, reconhecimento existencial para manter o equilíbrio mental e, apesar de muitas vezes ser um delicioso prazer, a convivência humana não tem mais a função de nos assegurar segurança e sobrevivência.
A real é que na vida somos todos sozinhos, mas podemos estar acompanhados e acompanhando muitas pessoas nos diferentes momentos da vida. Por escolha, sem medo de estar bem só consigo mesmo. O “buraco” na barriga, que não é só o umbigo, se chama angústia. E ela é bonita na sua essência, e tem importância para nossa existência. A angústia nos mobiliza, nos indica que algumas acomodações feitas pelo caminho estão com o prazo de validade expirado. E, do mesmo lugar de onde ela pulsa de dentro de nós, emerge também a nossa criatividade, a intuição e a subjetividade que nos tornam únicos. Não vale a pena tapar esse buraco na alma. Mas só podemos mergulhar e desfrutar da sua beleza quando aprendemos a nadar na imensidão do amor – não o amor do outro, mas aquele amor que temos dentro de nós para nós mesmos, no prazer da própria companhia. Descobrir que ser sozinho não é sinônimo de estar sozinho, e que na solitude da própria existência somos plenos, transcendemos em direção ao Sagrado. É nessa hora que percebemos um dos grandes tesouros da vida: podemos estar com os outros, mas sempre somos só "eu mesmo" - e isso é o suficiente para se viver.


© obvious:  http://obviousmag.org/paradoxus/2015/voce-esta-sozinho-nessa-e-esta-tudo-bem.html#ixzz3c6WKxt1M 
Follow us: @obvious on Twitter | obviousmagazine on Facebook

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Cultura e conhecimento através da Arte. Fundamental.

Gênio é aquele que além de fazer obras incríveis e monumentais, ainda esconde nelas detalhes de fazer cair o queixo.


obras de arte4.jpg

Sempre me sinto com se estivesse em um ato solene quando visito um museu. As pessoas andam para lá e para cá a esmo, mergulhadas em um sentimento difuso de respeito pelos artistas responsáveis pelas obras expostas de séculos atrás. Mesmo se você não entende muito de arte - e, acredite, eu me incluo nesse grupo - vai sentir esse clima de solenidade e provavelmente imaginar os artistas como figuras sérias e dignas - semideuses, comprometidos com a técnica, com o belo e com a perfeição.
No entanto, se você olhar com atenção, vai encontrar detalhes que provam que, além disso, muitos artistas eram comprometidos com esconder o maior número possível de referências e detalhes surpreendentes dentro de suas obras - coisas que costumam passar batido pelos nossos olhos pouco treinados. E, veja só, alguns deles até que tinham um ótimo senso de humor. Como por exemplo…
1. - Michelangelo retratou o seu maior crítico como um demônio que guarda as portas do inferno, no afresco O Juízo Final
O ano era 1541 e Michelangelo, um artista respeitado já na faixa dos sessenta anos, passara os últimos cinco anos trabalhando no seu monumental afresco O Juízo Final, na parede do altar da Capela Sistina. Foram anos de muito trabalho, dedicação e, como era comum na arte renascentista, de centenas de genitálias desenhadas com primor e riqueza de detalhes nas mais variadas figuras que representavam santos, demônios e almas pecadoras no afresco.


obras de arte3.jpg
Mais de 400 delas, para ser exata.

No entanto, havia uma pessoa que não estava nem um pouco feliz com toda essa riqueza de detalhes. Biagio da Cesena era mestre de cerimônias do papa, oficial responsável por supervisionar os serviços realizados na capela e garantir que as obras respeitassem a santidade do local - coisa que ele não achou que a obra de Michelangelo fazia, com todas aquelas pessoas nuas em pêlo. Infelizmente para ele, suas observações foram desconsideradas e, para piorar a situação, Michelangelo, mordido pelas críticas, retratou Biagio no afresco como Minos, o demônio responsável por julgar e receber os pecadores no Inferno - completo, com uma cobra agarrada no ding-a-ling e orelhas de burro.

obras de arte9.jpg
Nenhuma vingança é mais doce do que imortalizar a figura do seu inimigo como um babaca nas paredes do Vaticano. 

2 - Leonardo da Vinci escondeu uma melodia na obra A Última Ceia
O afresco A Última Ceia retrata Jesus e seus apóstolos aproveitando a - você adivinhou - última ceia antes que Jesus fosse preso e crucificado, de acordo com a Bíblia. É provavelmente uma das mais conhecidas obras de da Vinci, um sujeito tão genial que conseguiu se destacar em dez áreas de conhecimento diferentes (ciência, matemática, engenharia, anatomia, pintura, escultura, arquitetura, botânica, poesia e música), além de ter ganhado a fama de fazer de suas obras elaborados Jogos dos 7 Erros, escondendo pequenos segredos aqui e acolá.

obras de arte11.jpg
Não, nenhum deles é o fato de que Jesus Cristo era casado e teve filhos com Maria Madalena. 

Em 2007, o técnico de computação italiano Giovanni Maria Pala afirmou ter descoberto um deles. Ao desenhar cinco linhas de partitura sobre a imagem, Pala descobriu que os pedaços de pão e as mãos de Jesus e dos apóstolos no afresco se alinham como notas musicais. Tocadas da direita para a esquerda, como era hábito de da Vinci, o arranjo faz sentido musicalmente e soa solene, como um canto de réquiem. Especialistas nas obras de Leonardo dizem que a teoria é plausível, dado que o artista também era um músico talentoso.
obras de arte6.jpg
Então, basicamente, da Vinci fez uma trilha sonora para uma de suas pinturas. Gênio.

1 - Rafael Sanzio retratou seus colegas renascentistas como personagens históricos, na obra Escola de Atenas (e ofereceu uma prévia da Basílica de São Pedro 100 anos antes de ela ficar pronta)
Escola de Atenas é um dos trabalhos mais conhecidos do famoso artista renascentista Rafael Sanzio. Composto de quatro afrescos principais, o painel retrata quatro ramos distintos do conhecimento - a Filosofia, a Poesia, a Teologia e o Direito. Em cada um dos afrescos, são retratadas diferentes figuras do conhecimento - como Sócrates, Platão e Pitágoras - e muitos deles recebem emprestado as feições de alguns camaradas renascentistas de Rafael.

obras de arte7.png

A identidade das figuras não foi confirmada por Rafael e, por esse motivo, existem diversas hipóteses para cada uma delas (apesar de a presença de Aristóteles e Platão ser certa). De acordo com a interpretação mais aceita, a numeração acima mostra duas vezes o próprio Rafael (em 3 e 20), Michelangelo (em 13), Leonardo Da Vinci (em 14), Giuliano da Sangallo (em 15), Donatello (em 17), Donato Bramante (em 18) e Baldassare Castiglione (em 19).
Além de incluir seus colegas no afresco, Rafael fez mais ainda. De acordo com o pintor Giorgio Vasari, Donato Bramante - o arquiteto responsável pela reconstrução da Basílica de São Pedro, no Vaticano - ajudou Rafael na arquitetura do prédio do afresco e há quem diga que ele passou para o pintor o modelo que havia criado para a reconstrução da basílica. Se isso for verdade, Bramante escondeu no trabalho de Rafael uma prévia de uma obra que só ficaria pronta dali a 100 anos.
Sinceramente, gênio é pouco.

Comida gostosa e saudável para o feriado

ABOBRINHA E BERINJELA, UMA DUPLA IRRESISTÍVEL

por: 
Muito presentes na cozinha mediterrânea, a abobrinha e a berinjela precisam de poucos ingredientes para ficarem saborosas.
eggplant_cestas_berinjelas_claudiamatarazzo
Além de ter um preparo fácil, são pouco calóricas e combinam com quase tudo!
Eles são leves, de digestão fácil e muito versáteis. Devido sua fina casca e polpa macia, cozinham bem rapidamente, o que ajuda a preservar seus nutrientes.
Beringela saudável – esse é um alimento rico em vitaminas (como a B1, B6, B5), minerais como cálcio, fósforo, ferro e fibra solúvel, além de agentes antioxidantes, que previnem contra doenças, envelhecimento celular e inflamações.
Pesquisas com diversas variedades de berinjela demonstraram que, quanto mais amarga, maior a concentração de compostos fenólicos, as substâncias antioxidantes presentes no vegetal.
Mas se quiser uma receita saudável, evite milanesas e frituras. Prefira os legumes assados, grelhados ou refogados.
Tríade perfeita: para acompanhar esses legumes use e abuse de azeite, tomate e alho – ingredientes saborosos e que temos sempre a mão.
Durabilidade – outra vantagem da berinjela é a durabilidade: ela dura até uma semana na geladeira de preferência guardada embaixo.
Abobrinha – é apenas uma das variedades das abóboras de casca macia, que englobam a abóbora amarela, chuchu, e a abóbora recurvada, por exemplo.
Com baixa caloria (apenas 27 kcal por 100g), a abobrinha é composta em 95% por água. Além disso, é boa fonte de fibras, vitamina C e contém também betacaroteno, que é precursor da vitamina A no organismo.
Magrinhas, saudáveis e deliciosas  – essas curbitáceas rendem receitas deliciosas como a que elencamos aqui.
Como escolher para comprar – o melhor é optar pelas menores e firmes, que são mais saborosas. Veja se não tem machucado ou cortes. E prefira as que têm cabinhos pois duram mais.
O ideal – é conservar sob refrigeração para que não amadureçam rápido demais. Se estiverem durinhas e boas, elas duram cerca de 2 semanas na geladeira.
lasanha light de berinjela, que está sobre um prato, na fatia bem suculenta, temos os recheios bem aparentes, ressaltando as berinjelas
LASANHA LIGHT DE BERINJELA
Ingredientes:
2 berinjelas médias
500g de carne moída
1 cebola picada
3 dentes de alho picados
azeite o quanto baste
sal a gosto
salsinha picada a gosto
3 latas de tomate pelado
1 cenoura ralada
300g de muçarela de búfala ou muçarela light
150g de parmesão light.
Preparo:
  • Refogue a cebola e o alho.
  • Coloque a carne e refogue, soltando bem com o garfo.
  • Acrescente a cenoura ralada e mexa bem. Ponha o sal.
  •  Bata no liquidificador o tomate pelado com 1 colher (sobremesa) de açúcar. Junte à carne e deixe cozinhar em fogo baixo por 30 minutos. Depois, acerte o sal e coloque a salsinha picada (se quiser, pimenta também).
  • Reserve.
  • Corte as berinjelas em fatias bem finas (use um cortador).
  • Em um refratário alto, de tamanho médio, coloque uma fina camada de molho. Depois, uma de berinjela fatiada. Ponha outra de molho e um pouco de muçarela ralada. Repita as camadas, até terminar.
  • Por último, o molho e salpique o queijo parmesão.
  • Leve ao forno preaquecido a 200ºC por cerca de 45 minutos, coberto com papel alumínio. Depois, deixe mais um pouco, sem o papel, para gratinar.
    Dica: se quiser, troque a berinjela por abobrinha

Fernanda Lopes
Editora Boa Mesa – A Tribuna
www.atribuna.com.br/blogboamesa
Tel. 13 21027563/13-97420035

image_pdf

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Delicadezas do amor

"Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós." (Manoel de Barros)

54cf222bb41f3a68bd835b605db30817_i.jpg
As coisas incomensuráveis habitam as pequenas delicadezas do amor. Estão nas miudezas e nos gestos cotidianos dos quais nem nos damos conta; nos pequenos desejos, na mão pousada sobre ombros descansados, nas pontas dos dedos que deslizam na nuca amada, na pipoca dividida, nos abraços despretensiosos, na pia do banheiro ou nos beijos dados na cozinha vestida de louças de um almoço qualquer.
Estes pequenos gestos e abraços engolem o sexo mais indomado e o presente mais caro. Não que o sexo e o presente mais lindo não sejam bem-vindos, mas as pequenas delicadezas têm um poder incrível de sobreviver ao tempo. Sacanagens são deliciosamente prazerosas, mas a certeza da conversa a qualquer tempo é ainda mais reveladora e prazerosa, é ela quem nos afasta da solidão das multidões, que nos transmite certezas, se é que estas existem, de que as coisas seguem por um caminho quase perfeito.
O riso solto e sem protocolos conseguidos com o aumento da intimidade, sem os quais a gente murcha um pouco, está nestas pequenas delicadezas. São estas miudezas do amor que nos engrandecem e muitas vezes a gente sequer se dá conta disto. O amor é cheio de vocações desconhecidas e conexões profundas e delicadas. Pequenas delicadezas são na verdade a mais profunda forma de amor e que nos é revelada, também, em pequenas coisas.
Há momentos na vida em que ficamos por um triz, temos vontade de chorar, gritar, bater; do mesmo modo temos vontade de dividir alegrias, belezas, conquistas, mas quando vamos desmoronar queremos conosco ou do outro lado da linha, aquele que dividiu com a gente as pequenas delicadezas; é nesta pessoa que pensamos, é neste colo que queremos descansar. É naquela conexão profunda e delicada que mora o sossego dos nossos anseios.
Às vezes esta pessoa só precisa dizer um “alô” para o mundo ficar reconhecível outra vez. É que as coisas incomensuráveis da vida moram nas lembranças, gestos e amores gentis.


© obvious:  http://lounge.obviousmag.org/luciana_chardelli/2014/12/pequenas-delicadezas-do-amor.html#ixzz3brrKbvd3 
Follow us: @obvious on Twitter | obviousmagazine on Facebook